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CONSTRUINDO O QUE SE QUER CONSTRUIR
* Rodrigo Costa
“... Anda, quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar.
(...)
Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois...”
(O Sal da Terra - Beto Guedes e Ronaldo Bastos)
Há muito tempo tenciona-se vincular preconceituosamente movimento estudantil a balburdia, anarquia, falta de consciência política, rebeldia sem causa, dentre outros tantos adjetivos que nos remetem a percebê-lo como uma arruaça de jovens sem mais o que fazer. Pensá-lo dessa forma, é negar o verdadeiro valor inerente às efetivas conquistas advindas de organização, esforço e entrega de cada estudante, que junto aos demais, ousa sonhar e construir uma sociedade mais justa e fraterna. Além disso, nos cabe questionar a quem interessa esse “cartão de visita” imposto ao movimento estudantil.
A intenção dessa matéria é tratar sobre o CEEG (Conselho Estadual de Entidades de Base) e CONEB (Conselho Nacional de Entidades de Base), ambos ocorridos respectivamente nas cidades de Belo Horizonte e São Paulo. Vamos também enfocar a participação do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da Unimontes nos dois eventos. Porém, dentro da pauta principal, esperamos delinear uma reposta adequada ao questionamento anterior, tendo em vista a complexidade do assunto. A de se ressaltar, que nos debruçarmos de maneira um tanto quanto superficial sobre o CEEG e CONEG, dada a gama de informações que ambos abarcam, estando no blog da UEE-MG e no site da UNE dados mais específicos sobre os dados aqui elencados.
Os membros componentes da direção do DCE incumbidos de representar a entidade foram Danielle Gonçalves (diretora de Assistência Estudantil) e Rodrigo Costa Lima (diretor de Relações Públicas). O CEEG, coordenado pela UEE (União Estadual dos Estudantes) mineira, foi realizado no dia 20 de março na PUC Minas, onde se reuniram DCE’s de diversas partes do Estado, comportando representantes de universidades públicas e privadas. Durante toda a tarde os estudantes debateram acerca da crise econômica mundial; examinaram a conjuntura nacional e o ensino superior nela incluso; por fim discutiram sobre o cenário estadual e sobre o descaso do governo Aécio Neves com a educação.
A noite foi realizada a plenária final, onde após vários debates e argumentações, foram aprovadas as bandeiras de luta da UEE-MG, vamos a elas: construção do Campus Unificado da UEMG BH, democratização do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais, duplicação do investimento no ensino superior de Minas Gerais, expansão da rede pública de ensino superior de Minas Gerais, gratuidade nas unidades da UEMG e UNIMONTES no interior, financiamento regular e público para as universidades públicas, regulamentação do ensino privado, mais investimentos em assistência estudantil, fim das fundações privadas nas universidades públicas. No final do evento foi convocado o 41º Congresso da UEE-MG, que ocorrerá nos dias 26, 27 e 28 de junho, na Universidade Federal de Viçosa.
Terminado o CEEG, os representantes dos DCE’s embarcaram rumo a cidade de São Paulo a fim de participarem do 57º CONEG, ocorrido nos dias 21 e 22 de março. No primeiro dia pela manhã, os estudantes puderam presenciar um debate sobre a crise econômica, sendo o mesmo, extremamente proveitoso, pois os expositores advinham de variados movimentos sociais. Logo, cada um expunha os impactos da crise de acordo com o grupo que representava, havendo consenso de que “ESTA CRISE NÃO É NOSSA”! Compunham a mesa Lúcia Stumpf e Tales Cassiano, presidente e vice presidente da UNE respectivamente, Ismael Cardoso, presidente da UBES, Milko Matijascic, representante do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) , Altamiro Borges, Jornalista do Portal Vermelho, Antônio Carlos Spis, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Heron Barroso, da Central dos Movimentos Populares (CMP), Camila Furchi, da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), Pedro Paulo, da Intersindical, Wagner Gomes, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) , Paulo Saboia, da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).
Na parte da tarde, houve duas mesas sobre a educação, a primeira avaliava o PNE (Plano Nacional de Educação) e a segunda abordava a Conferência Nacional de Educação e o Sistema Nacional Articulado de Educação. O acadêmico Rodrigo Costa, diretor de relações públicas do DCE, participou do debate acerca do PNE, onde se constatou o vergonhoso quadro de que o Brasil investe apenas 3,9% do PIB (Produto Interno Bruto) na educação, enquanto países como Estados Unidos e Dinamarca investem quase o dobro, 7,4% e 7,2% respectivamente. Além disso, o PNE segundo o estudo de Ivan Valente (deputado federal suplente pelo PT-SP) e Roberto Romano (professor titular de Ética e Filosofia Política do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP), atendeu os interesses imediatos do governo, majoritário no Congresso, o que acabou desfigurando o projeto originário da sociedade, reduzindo-o a uma “carta de intenções.” Vejamos alguns dos vetos impostos pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso:
1) o que fixava a meta de 7% do PIB em termos de gasto público com educação; 2) o que subvinculava 75% das verbas do MEC para o Fundes (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Superior), destinado à manutenção e expansão da rede de instituições federais; 3) o que indica que sejam triplicadas, até o final do período, as verbas que estados e União destinam à pesquisa científica e tecnológica; 4) o que previa aumento do gasto em crédito educativo; 5) o que indica a aprovação de plano de carreira e piso salarial e outros mecanismos de valorização do magistério; 6) o que manda implantar, no prazo de um ano, planos gerais de carreira para os profissionais técnicos e administrativos das universidades federais; 7) o que determina que o Tesouro Nacional garanta recursos para o pagamento dos aposentados e pensionistas do ensino público na esfera federal, excluindo estes gastos das despesas consideradas como manutenção e desenvolvimento do ensino; 8) o que orienta a ampliação do Programa de Renda Mínima de modo a atender na educação infantil, nos três primeiros anos, 50% das crianças de 0 a 6 anos que se enquadrem nos critérios de seleção da clientela etc.
Na mesa sobre a Conferência Nacional de Educação e o Sistema Nacional Articulado de Educação, participou a acadêmica Danielle Gonçalves, diretora de Assistência Estudantil do DCE, na qual foi debatido... Os trabalhos do dia foram encerrados com grupos de discussão, os diretores do DCE participaram do grupo que debateu o regimento para o 51º Congresso da UNE. No outro dia, deu-se a plenária final, a mesma começou por volta de 11:00 terminando as 17:00. A votação ocorreu em clima bem agitado, sendo a plenária interrompida diversas vezes por manifestações que se opunham ao que estava sendo aprovado, porém, nada que contrariasse o espírito democrático. Afinal, esperava-se que houvesse unanimidade entre os 700 estudantes presentes à plenária? Por fim, os estudantes aprovaram resoluções e monções, além do regimento que norteará o 51º Congresso da UNE, há acorrer entre os dias 15 e 19 de julho, em Brasília-DF.
Após delinearmos de modo bastante sucinto sobre como se deu o CEEG e CONEG, cabe ainda refletirmos se o movimento estudantil é ou não merecedor do estigma que cerceia sua verdadeira face. Cada um, cremos, já deve ter formulado sua resposta. As ações que movimento estudantil prática, como se organizar em conselhos, debater a situação do país, estado e/ou município, não ganham acesso a grande mídia, o que ela mostra são nossas passeatas, porém, omitem e reinterpretam as razões pelas quais os jovens brasileiros saem às ruas. Esse não é um discurso revolucionário, de teor reformista, é tão somente uma leitura simples da realidade que nos cerca. Cabe a cada um de nós, por meio de sua militância, atuar junto às várias Faculdades e Universidades desse país, no intuito de mudar esse quadro que nos é amplamente desfavorável. Não para afirmarmos que o movimento estudantil é vitima do que dizem por aí, isso não tem sentindo, não queremos beatificar os militantes. Buscamos, antes de tudo, levar o estudante a refletir sobre a situação atual do país e de como a mídia tem maculado a realidade, buscamos consciência coletiva para que o mesmo se junte a luta, afinal ESSA CRISE NÃO É NOSSA, QUEREMOS MAIS CONQUISTAS PARA A EDUCAÇÃO!
O balanço dessa pequena, porém valorosa odisséia, dos representantes do DCE da Unimontes, pelo cenário estudantil estadual e nacional é positivo, posto que, além de opinarem acerca dos eixos temáticos debatidos, levando em consideração a realidade sócio-econômica a qual pertencem, Danielle e Rodrigo construíram ao longo de todo o período de viagem, contatos com outros DCE’s do Estado de Minas e de algumas outras partes do país, como Campinas e Pará. Fortalece-se assim, ainda mais o bojo do movimento estudantil, forjado em lutas e companheirismo, em busca de melhorias na qualidade do ensino, seja ele público ou privado. Por fim, citamos um poema do escritor mineiro Affonso Romano de Sant’Anna:
Reflexivo
O que não escrevi, calou-me.
O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-se.
O que não vivi, morreu-se.
O que adiei, adeu-se.
Temos muito ainda por fazer, desde nossas reivindicações internas até as de cunho nacional, como será a Jornada de Lutas 2009, que começará dia 30 de março estendendo-se até o dia 03 de abril. Esperamos ter contribuído de alguma forma para a ampliação dos debates acerca do movimento estudantil, lembrando que “A UNE SOMOS NÓS, NOSSA FORÇA E NOSSA VOZ!”
Obrigado.
Fonte:
http://www.adusp.org.br/noticias/Informativo/89/inf8907.html
http://www.une.org.br/
http://www.ueemg.blogspot.com/
http://www.cofecon.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1044&Itemid=128
http://www.geocities.com/artuso.geo/index.html
* Rodrigo Costa é acadêmico do 7º período de História e diretor de Relações Públicas do DCE Unimontes |
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